Biblioteca da Oralidade

       
      
       A Biblioteca da Oralidade é uma proposta ousada na sua forma e inovadora em seu conteúdo. Ao unirmos na mesma sentença “biblioteca” e “história oral”, propomos uma sinergia entre o saber formal e o informal na perspectiva da valorização das pessoas e dos lugares.
 
       Quando das discussões acerca do tema, tínhamos a convicção que essa biblioteca não poderia prescindir da missão de reunir obras literárias, como também não poderia abrir mão de ser formada por um conjunto de narrativas advindas de fonte oral, num formato que se aproximasse ao máximo da experiência viva de ver/ouvir a história sendo construída. Além disso, tínhamos por parâmetro de trabalho as atividades da Ação Griô e do Agente Coletor de Causos/Pontinhos de Cultura, ou seja, a ação teria de abranger a valorização e transmissão de saberes ancestrais entre mestres e aprendizes dentro da sua comunidade.   
 
       Diante do problema encontramos resposta na tecnologia. Porque não registrar em audiovisual a criação das narrativas? Porque não dispor esse material em forma de CD/DVD/MP3/JPG? Porque não escrever essas histórias tendo por autores crianças e adolescentes, numa linguagem popular como o cordel? E se as narrativas ainda contassem as histórias do lugar, contadas por gente do lugar?
 
       Chegamos então na forma, uma biblioteca. Organizada, com mecanismos de empréstimo de obras, formação de acervo, espaço de leitura, variedade de títulos, etc. E chegamos ao conteúdo: narrativas de gente do lugar contando histórias do entorno, narrativas que não se restringem à prosa e o verso, por vezes a imagem vale mais que mil palavras, e entendemos que as histórias podem ser contadas de diversas maneiras.